São crianças e jovens, mas aprendem as teorias e práticas como se de um Bombeiro “a sério” se tratasse. Fazem da Escola de Infantes e Cadetes uma “prática” semanal e anseiam atingir a idade que os permita ser Bombeiros Voluntários, neste caso concreto na corporação da Pampilhosa.

Foi num sábado, como tantos outros, que fomos encontrar cerca de vinte e cinco crianças e jovens no quartel dos Bombeiros da Pampilhosa. E é sempre assim durante o período coincidente com as aulas escolares. “No fundo é semear para colher”, disse-nos Ana Rute Dias, Bombeira de 1.ª e uma das instrutores da Escola. “Dois dos jovens que aqui começaram já estão na Escola de Estagiários”, continuou.

Na Escola da Pampilhosa, que começou em 2012, podem estar crianças e jovens dos seis aos dezasseis anos provenientes de qualquer parte do país. “É um esforço financeiro muito grande para o quartel ter esta escola ativa, uma vez que somos nós que custeamos tudo e os fardamentos não ficam tão baratos quanto isso (cerca de três mil euros por ano)”, garantiu, ao «Bairrada Informação», Fernando Abrantes, comandante da corporação pampilhosense, confessando que, mesmo assim, “vale a pena até porque os ajudamos também com os estudos”.

Inês Lopes, de dezasseis anos, é um dos casos de permanência na escola, há vários anos, e que agora “partirá” para a Escola de Estagiários. “Estou aqui desde os doze anos e tenho o desejo de ser bombeira, tal como os meus pais o são. Aqui aprendemos tudo aquilo que os mais velhos aprendem, desde manobras de suporte básico de vida a combate em fogos florestais. A diferença é que ainda ‘é tipo na brincadeira’”, confessou-nos esta jovem, aluna do décimo ano na Escola Secundária da Mealhada, enfatizando que “o espírito de trabalho de equipa que se cria, à maneira que as semanas vão passando, é espetacular”.

De longe, mais concretamente de Viseu, vem Beatriz Andrade, de dez anos, “religiosamente todas as semanas”. “Os meus avós maternos vivem aqui na Pampilhosa e eu quando vinha para cá não tinha nada que fazer… Quando soube desta Escola quis vir conhecer e fiquei”, explica a jovem que diz sentir-se “diferente dos colegas porque nenhum tem em Viseu o que eu tenho aqui na Pampilhosa”.

E também Beatriz Andrade quer ser bombeira. “Tenho vontade de socorrer as pessoas e mobilizar incêndios. Às vezes, imagino-me num cenário de incêndio…”, diz-noP_20161126_153956s a jovem que, de imediato, é interpelada pelo colega Iago Miranda, de treze anos, residente na Quinta do Valongo. “Vim aqui com o meu pai entregar um material ao quartel e ficámos a conhecer a escola. Quis logo vir para cá e raramente falto. Aqui aprendemos a fazer a formatura dos bombeiros, manobras e a socorrer as pessoas”, explica o jovem, que está na escola há dois anos.

Joana Santos, de treze anos, reside no Canedo, e diz “ter tido vontade de ‘seguir as pisadas’ do pai, que é bombeiro”. “Aqui aprendi a ter regras, disciplina e a partilhar ideias. Até na escola melhorei as notas”, afirma.

A formadora Ana Rute Dias explica que apesar de ser uma escola “de pequeninos” as temáticas abordadas são iguais as da Escola de Adultos. “É óbvio que com os mais pequenos o assunto é levado em jeito de brincadeira. Brincam aos bombeiros, mas a mensagem acaba por passar sempre”, garante Ana Dias, adiantando que “com os mais velhos já é diferente e até há formação teórica e prática”.

“Mas para além de ser muito giro, é essencial para uma corporação. Desta escola, se tudo correr bem, vai haver um ano em que sairão daqui seis jovens diretamente para a Escola de Estagiários”, concluiu.