A coligação “Juntos pelo Concelho da Mealhada” ia, na manhã de 15 de maio, preparada para a substituição do vereador João José Seabra Pereira, na reunião da Câmara da Mealhada, depois de este ter pedido suspensão do mandato através de um email enviado para a autarquia a 28 de abril. Acontece que o conteúdo do documento “não cumpre o que a lei exige”, segundo Rui Marqueiro, presidente da Câmara, levando a que os vereadores Gonçalo Louzada e Marlene Lopes quisessem “abandonar” a reunião, alegando “sentirem-se órfãos de um elemento”. Uma suspensão que acabou por ser aceite, no final da reunião, depois de garantida a reformulação do pedido de João Seabra.

A proposta de suspensão de mandato do vereador era, na reunião ordinária de 15 de maio, o último ponto da ordem de trabalhos, contudo, no período antes da ordem do dia, Gonçalo Louzada apresentou um requerimento dirigido a Rui Marqueiro, onde pedia que esse assunto fosse o primeiro da ordem de trabalhos.

“Ao colocar este ponto, pedido há mais de quinze dias, para último está a inviabilizar o trabalho da oposição nesta reunião”, continuou Gonçalo Louzada, pedindo alteração na ordem de trabalhos para que Hugo Silva, presente na reunião, assumisse as funções na vereação, tal como aconteceu há uns meses quando Marlene Lopes pediu o mesmo, alegando motivos idênticos.

Mas foi aqui que o assunto começou a gerar alguma controvérsia. “A senhora vereadora pediu suspensão por motivos de doença, mas nunca nos comprovou isso”, disse Rui Marqueiro, afirmando ainda: “Eu sei que realmente sofreu uma intervenção cirúrgica, mas também sei que durante o período de suspensão de mandato na Câmara retomou as suas funções profissionais (na escola onde leciona)”.

E o edil continuou: “A lei de suspensão de mandato é muito exigente e vocês apresentam razões pessoais e familiares e isso não diz rigorosamente nada!”. Por outro lado, o autarca garantiu que nunca podia ter levado o assunto à reunião de 2 de maio, “uma vez que me chegou a 28 de abril, quando a ordem de trabalhos já tinha saído”.

Para que Hugo Alves Silva tomasse lugar na reunião, seria também necessário que o eleito pela coligação, imediatamente a seguir João Seabra, fosse convocado por Rui Marqueiro. Mas a coligação levava já sete requerimentos onde os eleitos seguintes se mostravam “indisponíveis”, para que Hugo Silva pudesse permanecer como vereador na ausência de João Seabra. “Considero isto uma brincadeira. Todos os elementos apresentam as mesmas razões, como se fosse um vírus, fazendo com que tenham que ir buscar um elemento suplente. Pedirem-me para aceitar coisas mal feitas, isso eu não faço!”, disse Rui Marqueiro, garantindo que “se o documento de João Seabra estivesse reformulado e no local estivesse o elemento, imediatamente a seguir ao vereador, o problema estava solucionado”. “Assim, tenho que ser eu a convocar”, acrescentou.

“Ainda esta manhã enviei um email ao vereador João Seabra a pedir-lhe reformulação do documento, porque se não o fizer, eu voto contra”, disse o edil, “munido” da lei, alegando que em caso de doença, esta deve ser “devidamente comprovada”.

“O que tem que ser feito é renúncia ou substituição de mandato. ‘Suspensão por motivos pessoais e familiares’ e ‘indisponibilidade por motivos profissionais’ eu não sei o que é”, continuou Rui Marqueiro, explicando que, “depois de receber o documento de João Seabra correto”, iria começar, ainda a 15 de maio, “e nos termos da lei, a convocar as pessoas eleitas pela coligação para tratar do processo de substituição”. “Para ser mais célere até faço a convocatória a todos os membros, para que possa estar aqui alguém já na próxima reunião de junho”, concluiu o autarca.