Uma loja com máquinas automáticas de venda de bebidas e produtos alimentares, situada na Avenida das Laranjeiras, na cidade de Anadia, “não dá descanso” a quem habita no bloco de apartamentos por cima do estabelecimento comercial. Quem o garante é um dos casais moradores que, na manhã de 27 de abril, esteve na reunião pública da autarquia a alertar para o “desassossego”. Um assunto que o executivo voltará a analisar numa próxima reunião, podendo estar “em cima da mesa” a redução do horário de funcionamento.

Situada numa das principais Avenidas da cidade de Anadia, o estabelecimento tem máquinas a funcionar vinte e quatro horas por dia. “Nas horas de descanso, das 22h às 7 horas, quando há mais silêncio na rua, o barulho daquelas máquinas em nossa casa é insuportável”, disse Sandra Castro, moradora no apartamento por cima da loja de conveniência.

“Desde que aquilo foi montado, em novembro de 2015, nunca mais tivemos descanso. Para além de ouvirmos as latas e as moedas a caírem, o barulho de motas e carros ali é incessante”, continuou a moradora, garantindo que só o barulho do compressor das máquinas “é muito intenso”. “Está sempre aquele zumbido no quarto e casa de banho de nossa casa”, disse ainda.

“É horrível estar na cama à 1 hora e ouvir aquele barulho das latas a cair. É caricato até!”, lamentou Sandra Castro que diz disponibilizar o seu apartamento “um fim de semana, para verem como é o barulho”. “Eu até quero é vendê-lo!”, lamenta a moradora, que se diz “cansada” de ouvir “motas e carros apitar durante a noite e quando chama a Guarda Nacional Republicana, os agentes quase nunca vão na hora e quando chegam as conversas são sempre cordiais”.

“Precisamos que a Câmara ou reduza o horário do estabelecimento ou o deslocalize”, acrescentou.

Teresa Cardoso, presidente da Câmara Municipal de Anadia, aos moradores, e no período de intervenção do público, disse “conhecer a situação”, até porque seria um dos pontos analisados na ordem de trabalhos da reunião de 27 de abril. “É um comércio diferente, onde são máquinas ‘a explorar’ o espaço, e hoje, através do portal (para efeito de instalação do comércio), as pessoas instalam-se, estabelecem o horário que melhor lhes convém, e a Câmara quase nada sabe…”, acrescentou a edil, explicando que “quando foi alertada para a situação, reuniu com os proprietários do estabelecimento, que realizaram obras posteriormente de forma a minimizar o barulho do compressor”.

“Provavelmente as obras de isolamento não foram eficazes, julgo que melhorou alguma coisa, contudo, não o suficiente e, por isso, as queixas continuam”, disse a presidente da Câmara de Anadia, na altura em que o ponto estava a ser discutido pelo executivo.

A edil sugeriu que a vereação “estudasse” o assunto “para que a decisão tomada seja a mais ponderada possível”. “A Câmara pode restringir o horário, tendo em conta o local onde o estabelecimento está localizado”, explicou ainda a autarca.

Na mesma altura, Luís Carvalho, marido de Sandra Castro,  disse também ser usual “haver transportes a passar em cima do passeio naquele bloco de apartamentos, essencialmente, devido a uma clínica de fisioterapia que ali existe”. Um “problema” que Teresa Cardoso garante “ser de fácil resolução, bloqueando a passagem para o passeio”.