25 de Abril de 2017

Sessão Comemorativa

Assembleia Municipal da Mealhada

Intervenção Hugo Alves Silva

 

Liberdade!

Liberdade!

Liberdade!

Liberdade!

Pensemos em conjunto. Liberdade!

Liberdade!

 

As palavras ganham ou perdem significado dependendo da forma como as usamos ou até da forma como delas abusamos.

Liberdade!

Essa é a palavra que hoje celebramos, mas esse direito já foi conquistado? Já está acessível a cada português?

Ainda estará no bolso de cada pessoa de Luso, de Vacariça, de Pampilhosa, de Barcouço, de Casal Comba, de Antes, de Mealhada ou de Ventosa do Bairro?

Com o 25 de Abril, de há 43 anos…

Libertaram-se presos políticos, soltou-se a imprensa livre e a língua de cada português, atribuíram-se direitos e garantias, o voto livre, a emancipação e a liberdade de expressão, de associação, de opinião, de iniciativa, de pensamento.

Há liberdade?

À liberdade!

E hoje, 43 anos depois?

Já somos todos livres?

Não falta ainda cumprir esse Abril?

43 anos, com 40 desses anos de poder local autárquico livre.

Já conhecemos várias faces deste mesmo poder local eleito e outras tantas interpretações políticas dessa mesma delegação de competências, directa, das pessoas da nossa terra.

Há 43 anos, tal como dita a ordem natural da vida, foram as novas gerações as que deram o corpo aos cravos, que podiam ter sido balas.

Há 43 anos foram as novas gerações que alimentaram a senda de um Portugal mais justo e livre para todos, independentemente de se pensar à esquerda ou à direita do espectro político.

Há 43 anos, como hoje, é a capacidade de ver futuro, de perspectivar melhor para nós e para os nossos, que nos aguça o movimento, que nos convoca a estar juntos por Portugal e juntos pelo concelho da Mealhada, o nosso futuro tem nome.

É a nossa terra, são os nossos e o seu futuro que nos movem, livremente e para vincar a liberdade de todos e de cada um.

Liberdade para…

Os funcionários do estado, que só podem estar livres de pressões e de ciclos políticos, seguros da importância que têm para todos e seguros da condição de total respeito que da política devem obter.

Liberdade para…

Os trabalhadores e agentes do sector privado, que não só devem ser livres de pressões e de ciclos políticos, como devem ter a liberdade de poder exigir do sector público a transparência, a estratégia e a cooperação transversal para a sustentabilidade das suas acções.

Liberdade para…

As instituições e organizações privadas, com ou sem fins lucrativos, que se exige estejam livres de pressões e de ciclos políticos, conhecedores da estratégia da nossa terra, a cada passo, a cada giro do globo terrestre, isentos de amores e de ódios, imunes a falsas dependências financeiras, distantes das divisões fabricadas e das lutas de poder.

Tudo tem um tempo, o seu tempo, os seus métodos e a adequação de lideranças à realidade com que nos encaixamos na rapidíssima mudança do mundo e das necessidades do nosso concelho.

Assim como não era tempo para experimentalismos, e os obtivemos, associados a profunda inexperiência, também não é tempo para os velhos métodos, porque voltaram a provar não resultar, por não encaixarem nas necessidades, nem no contexto em que vivemos – cortaram-nos a liberdade de escolha e de permanência próspera na nossa terra.

43 anos depois é tempo de entregar liberdade ao mérito e de premiar com liberdade o empenho.

43 anos depois urge construir sem destruir o que de bom foi gerado no passado e assumir uma mudança em tudo construtiva, baseada no que é nosso, no que nos deu esta identidade bairradina e nos afirma na conjugação de territórios tão diversos.

43 anos que não começam nem encerram nada, antes servem para uma permanente observação, diagnóstico e melhoria da portugalidade e das nossas condições pessoais, profissionais e colectivas.

 

Somos todos donos do destino comum do país, do nosso concelho e da nossa organização comunitária.

Somos todos responsáveis pelo seu sucesso.

Somos todos essenciais para a manutenção das nossas liberdades.

A identidade da Mealhada é o espelho puro desta herança, terra de pessoas de coragem, que assumiram novos desafios e nos trouxeram até aqui.

Chegou o tempo de devolver em dobro a ambição e o trabalho de todos os nossos, de todas as idades e qualquer função.

É tempo de voltarmos a crescer, não porque temos as finanças em dia, mas porque o desenvolvimento tem de perseguir as nossas necessidades.

Hoje, como há 43 anos, vale a pena sair à rua, dar o peito aos cravos, que podem vir a ser balas, e relembrar bem alto…

Viva toda e qualquer Liberdade individual e colectiva!

Viva a Liberdade de expressão!

Viva a Liberdade de imprensa!

Viva a Liberdade de voto!

 

Viva o Concelho da Mealhada e Viva Portugal!