Alguns dos presidentes de Juntas de Freguesia do concelho de Anadia manifestaram o seu desagrado, na tarde de 7 de abril, aquando da Assembleia Municipal de Anadia, por um artigo publicado no Jornal da Bairrada da autoria de Litério Marques. Um assunto que “provocou” a saída do vereador, candidato à Câmara pelo Partido Social Democrata, antes desta terminar.

No artigo de opinião, Litério Marques começa por falar no Mercado de Vilarinho do Bairro, uma obra apoiada pela Câmara, que será depois “explorado” pela Junta. “Uma diferença de trato (para) com as outras Juntas (…)”, escreve Litério Marques. “Senhores presidentes, foram eleitos para defender os interesses das vossas freguesias, estas à partida estavam primeiro”, lê-se ainda no artigo, onde afirma: “Foram maus presidentes, estiveram três anos de mandato sem nada realizar digno de registo”.

“Longe vão os tempos em que as Juntas tinham que mendigar junto da Câmara”

Palavras que os presidentes das Juntas de Freguesia não perdoaram, manifestando as suas opiniões. “Longe vão os tempos em que as freguesias tinham que mendigar o que quer que fosse junto da Câmara, que os presidentes de Junta eram enxovalhados e discriminados diante de colegas do cargo e que eram tratados como simples ‘verbos de encher’”, começou por dizer Fernando Fernandes, presidente da Junta da União das Freguesias de Arcos e Mogofores. “Esperemos que esses tempos não voltem. Mal seria um regresso ao passado”, disse ainda o autarca.

“Eu pergunto-lhe: o que fez durante estes três anos?”

“Diz que não fazemos nada, então eu pergunto-lhe: o que fez durante estes três anos?”, questionou Óscar Ventura, presidente da Junta da União de Freguesias de Tamengos, Aguim e Óis do Bairro. “É muito triste ler estas coisas”, lamentou o autarca.

“A freguesia de Avelãs de Cima não está em ‘part-time’ na política”

Seguiu-se Manuel Veiga, da Junta de Avelãs de Cima, que garantiu: “A nossa freguesia está viva e recomenda-se. É um executivo que trabalha a tempo inteiro, que entra de manhã ao serviço e só sai quando os munícipes o permitem!”. E continuou: “A freguesia de Avelãs de Cima não está em ‘part-time’ na política e não entende como é que um candidato à Câmara pelo PSD trata mal os presidentes eleitos pelo Movimento Independente Anadia Primeiro e que foram até convidados por ele”.

“Nunca utilizámos o nosso lugar para nos promover”

António Ferreira, da Junta de Sangalhos, lamentou “as palavras” e garantiu “que os presidentes de Junta dão o seu melhor”. “Nunca utilizámos o nosso lugar para nos promover”, disse ainda.

“Hoje é um dia triste!”

Já o presidente de Vila Nova de Monsarros afirmou estar a ser “um dia triste” e que não sabe “conceber uma gestão da Junta” diferente daquela que tem feito.

“Tem havido muita solidariedade e muito diálogo entre todos os presidentes de Junta”

José Manuel Carvalho, líder de parte da bancada do PSD, lamentou o artigo, dizendo que “tem havido muita solidariedade e muito diálogo entre todos os presidentes de Junta” e pediu a Teresa Cardoso que faça chegar ao órgão “um relatório de atividades e de ajudas de custo de todo o executivo”.

Teresa Cardoso disse sentir-se “desconfortável” perante a situação

Depois do role de “queixas”, a presidente da Câmara de Anadia confessou sentir-se “desconfortável”, tanto com o que lê “em algumas opiniões”, como “com os desabafos dos presidentes de Junta”. “Estamos a falar de um vereador eleito pelo MIAP, uma lista que encabecei…. Compreendo os vossos desabafos e reitero a minha forma de estar: a Câmara trabalha com todas as Juntas de Freguesia, sem exceção”.

A edil enfatizou ainda que “há relacionamento institucional” saudável. “Temos que continuar em frente, honrando os nossos compromissos perante quem nos elegeu”, concluiu.

“É uma política baixa”

Também António Simões, do CDS-PP, manifestou a sua opinião, afirmando que se está “a regredir na política, em vez de se progredir”. “É uma política baixa e concordo com o que os presidentes de Junta dizem”, lamentou o deputado, acrescentando que “estas situações só geram conflito”. Já Artur Salvador, do PSD, explicou ver no artigo um “‘abanão’ dentro do partido”.

“Estou a ser penalizado por aqueles que defendi”, diz Litério Marques

Contactado pelo «Bairrada Informação», Litério Marques afirmou: “Não ofendi ninguém na Câmara e na Assembleia. Não tinha que ser ali que me atacavam e, por isso, saí”. “Estou a ser penalizado por aqueles que defendi, o que não é justo”, disse o candidato, admitindo existir “um jogo de amizade política incompreensível”.

Para Litério Marques deveria-lhe ter sido dada a palavra quando foi “atacado”. “Ao senhor que me perguntou o que fiz em três anos, responderia que andei a vigiar as atividades dele e o que fazia na sua freguesia”.